Ebony lança “Dona de Casa” e antecipa versão deluxe de KM2

Novo single aprofunda debates sobre autoestima, autonomia e pertencimento e sinaliza uma etapa mais madura e autoral na trajetória da rapper fluminense

Após a repercussão de KM2, álbum que consolidou sua potência narrativa ao transformar memórias da adolescência em Queimados, na Baixada Fluminense, em um retrato denso e sensível sobre identidade, amadurecimento e pertencimento, Ebony inaugura um novo movimento em sua carreira com o lançamento do single “Dona de Casa”, já disponível nas plataformas digitais. A faixa antecipa oficialmente a versão deluxe do disco e amplia o escopo artístico e conceitual do projeto, reafirmando a artista como uma das vozes mais relevantes da nova música brasileira.

Longe de ser apenas um lançamento complementar, “Dona de Casa” ocupa papel central na construção de KM2. Escrita ainda nas etapas iniciais do álbum, a canção acabou ficando de fora da versão original, mas retorna agora ressignificada, assumindo contornos de manifesto. A partir de imagens do cotidiano, Ebony articula uma reflexão contundente sobre os papéis socialmente atribuídos às mulheres periféricas, tensionando expectativas e reafirmando valores como autonomia, autoestima e orgulho das próprias origens. O resultado é uma narrativa que dialoga diretamente com a experiência coletiva de uma geração, sem abrir mão da força autobiográfica que marca sua obra.

A primeira apresentação pública da faixa aconteceu em 12 de dezembro, no Viaduto de Madureira, no Rio de Janeiro — espaço simbólico da cultura urbana carioca. A estreia ao vivo não apenas marcou o encontro inicial do público com a música, como também reforçou a relação orgânica de Ebony com territórios historicamente associados à resistência cultural, à circulação do rap e à formação de novas cenas musicais.

“Foi a primeira música escrita para KM2 e, naquele momento, ela surgiu quase como um interlúdio”, explica a artista. “Com o tempo, percebi que ali estavam alguns dos versos mais potentes que já escrevi. Por isso, escolhi ‘Dona de Casa’ para anunciar a versão completa do álbum.” Segundo Ebony, a decisão de lançar um deluxe está diretamente ligada ao amadurecimento de seu processo criativo. “Senti que KM2 ainda não estava pronto quando veio ao mundo. Essa versão é muito mais do que um deluxe: é a chance de reabrir, revisitar, recriar e aprofundar um trabalho extremamente pessoal. Foi a primeira vez que me expus dessa forma, e hoje consigo acessar camadas que antes eram difíceis. Ter essa oportunidade é uma honra”, afirma.

Musicalmente, “Dona de Casa” preserva a assinatura estética que vem consolidando Ebony no cenário nacional. A artista costura o rap a referências que atravessam o funk, o drum and bass, o gospel, o indie e a MPB, criando uma sonoridade híbrida, urbana e íntima, em que discurso, estética e musicalidade caminham de forma integrada. Essa fluidez entre gêneros reforça o caráter autoral de sua obra e amplia suas possibilidades de diálogo com diferentes públicos.

Nascida e criada em Queimados, Ebony iniciou sua trajetória de forma independente, gravando guias caseiras e publicando suas primeiras músicas no SoundCloud aos 17 anos. O lançamento oficial veio pouco depois, e, aos 25, a artista já figura entre os principais nomes do rap feminino brasileiro. Seu repertório soma faixas que alcançaram o topo dos charts do Spotify, além de passagens por grandes palcos e festivais como Rock The Mountain e The Town. O reconhecimento também se reflete na atenção da crítica especializada, com destaque em veículos como O Globo, Rolling Stone, Elle e no Prêmio Multishow.

Em KM2, Ebony aprofunda um discurso que conecta memória, território e identidade, abordando vivências periféricas, relações familiares, traumas e afetos a partir de uma escrita direta, sensível e politicamente consciente. Com presença de palco marcante, lirismo afiado e uma estética que dialoga com moda, juventude, internet e cultura urbana, “Dona de Casa” se apresenta como mais um passo decisivo na consolidação de uma artista que transforma experiências individuais em espelho coletivo — e aponta para uma nova fase, ainda mais madura, consciente e autoral, em sua trajetória.

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