Entre dois sóis e uma chuva passageira: Nando Reis encerra o Corona Luau MTV em São Paulo

POR: MAYARA ABREU

O Corona Luau MTV, em São Paulo, teve tudo aquilo que faz um bom show virar memória. A previsão insistia na chuva, mas o dia começou diferente: sol aberto, calor de tarde e aquela sensação de que o tempo tinha resolvido colaborar com a despedida da turnê. E colaborou, só que do jeito dele.

Foto: Divulgação

Apresentado por Sarah Oliveira, o luau já nasceu com clima de encerramento. Antes mesmo da primeira música, ela avisou que aquele era o último show da tour e agradeceu ao público, relembrando histórias de outras edições marcadas por viradas climáticas improváveis. Em tom bem-humorado, citou um episódio em que tudo indicava tempestade e nada aconteceu, dizendo que a Cássia Eller “levava dois sóis” com ela. A frase caiu como presságio e também como afeto.

Quando Nando Reis entrou em cena, estava visivelmente animado. Leve, falante, com aquele jeito de quem transforma o palco em sala de estar. Desde os primeiros acordes de “O Segundo Sol”, ficou claro que não seria apenas um show, mas uma celebração de encontros, histórias e vínculos que atravessam sua trajetória.

O repertório passeou por diferentes fases da carreira, costurando emoção e intimidade. “Luz dos Olhos”, “As Coisas Tão Mais Lindas”, “Palavras” e “All Star” foram recebidas em coro, como velhas conhecidas que nunca perdem o impacto. Entre uma música e outra, Nando parava para dedicar canções, agradecer pessoas importantes e dividir lembranças. Em um desses momentos, fez questão de citar Diogo Damasceno, seu empresário, além de falar longamente sobre Cássia Eller, exaltando a importância que tiveram um na vida do outro, tanto no plano artístico quanto no pessoal.

A noite seguiu ganhando ainda mais camadas com as participações. “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, “Socorro” e “Pra Você Guardei o Amor” trouxeram novos timbres ao palco, até que o céu resolveu entrar no roteiro. Justamente durante a entrada de Céu, uma chuva começou a cair. Nada dramático, muito pelo contrário. Foi rápida, quase simbólica, e logo cessou, como se fizesse parte do espetáculo antes de devolver o palco à música.

A participação de Os Garotin foi um dos momentos mais vibrantes da noite e ajudou a mudar a temperatura do show. Ao lado de Nando Reis, o trio trouxe balanço e frescor para “Partido Alto”, “Gatas Extraordinárias” e “Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)”, criando uma troca genuína entre gerações. Não era só uma participação especial protocolar: havia entrosamento, sorrisos cúmplices e liberdade em cena. Enquanto Nando se deixava levar pelo groove dos Garotin, eles ocupavam o palco com naturalidade, mostrando como suas vozes e levadas dialogam com a força melódica das canções, que são marcantes.

Na reta final, vieram os clássicos que sempre pesam diferente ao vivo: “Relicário”, “Por Onde Andei”, até desembocar no bis com “Malandragem”, homenagem inevitável e coletiva à Cássia Eller, cantada por todos no palco. Um encerramento à altura da história que aquele luau carrega.

Mas o show ainda guardava um último gesto de surpresa. “Do Seu Lado”, fora da setlist dos outros luaus da turnê, apareceu como presente inesperado — e daqueles que fazem o público sair com a sensação de ter vivido algo único.

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