Plebe Rude estreia turnê “45/40” no Circo Voador e revisita clássico que marcou o rock brasileiro

Show celebra os 45 anos da banda e os 40 anos de “O Concreto Já Rachou”, com abertura de Fausto Fawcett e sets do DJ Edinho

Plebe Rude - Créditos: Divulgação

A Lapa será cenário, nesta sexta-feira (27), de um encontro entre memória, crítica social e alta voltagem sonora. A Plebe Rude sobe ao palco do Circo Voador para a estreia da turnê “45/40”, espetáculo que marca duas datas emblemáticas: os 45 anos de fundação da banda e os 40 anos do lançamento de “O Concreto Já Rachou”, álbum de estreia que se tornou um dos pilares do rock nacional dos anos 1980.

Lançado em 1985, em plena efervescência do chamado “rock Brasília”, o disco consolidou a Plebe Rude como uma das vozes mais contundentes de sua geração. Em um Brasil que saía da ditadura militar e rediscutia seus rumos políticos e sociais, canções como “Proteção”, “Até Quando Esperar” e “Minha Renda” transformaram-se em hinos de inconformismo e consciência crítica. O álbum alcançou o Disco de Ouro e, quatro décadas depois, permanece cultuado como retrato fiel de um período de transição e esperança — mas também de frustração e desigualdade.

O concreto segue rachando

A proposta da turnê “45/40” é apresentar “O Concreto Já Rachou” na íntegra, respeitando sua estrutura original, mas com a maturidade artística adquirida ao longo de décadas de estrada. No palco, Philippe Seabra (voz e guitarra), André X (baixo), Clemente Nascimento (guitarra e voz) e Marcelo Capucci (bateria) conduzem um repertório que reafirma a identidade sonora da banda: guitarras afiadas, linhas de baixo marcantes e letras diretas, que transitam entre crítica política e observação urbana.

Ao lado do álbum histórico, o setlist inclui outros momentos fundamentais da trajetória do grupo, costurando 45 anos de produção musical em um espetáculo de caráter celebratório, mas sem perder o tom contestador que sempre foi marca registrada da Plebe Rude.

Mais do que uma revisita nostálgica, o show se apresenta como um gesto de permanência. Em um contexto contemporâneo ainda atravessado por tensões sociais e debates sobre democracia, as composições da banda mantêm atualidade e relevância, reforçando a ideia de que o “concreto” das estruturas sociais continua, simbolicamente, a rachar.

Encontro de vertentes da música urbana

A noite no Circo Voador ganha dimensão ampliada com a participação de Fausto Fawcett na abertura. Figura singular da cena carioca, Fawcett construiu desde os anos 1980 uma obra que mistura literatura, música e performance, transitando entre o rock, o funk e a experimentação eletrônica.

Com o espetáculo “Animakina”, o artista propõe um baile futurista e literário que dialoga com tecnologia, cultura pop e crítica social. No repertório, clássicos como “Kátia Flávia”, “Rio 40 Graus”, “Santa Clara Poltergeist” e “Androide Nissei” se encontram com crônicas contemporâneas em formato de spoken word. No palco, ele é acompanhado por Paulo Beto (sintetizadores e samplers), Mari Crestani (vocais, baixo e saxofone) e Jodele Larcher (audiovisual), compondo uma experiência multimídia que amplia a atmosfera da noite.

Entre os shows e após as apresentações, a pista fica sob o comando do DJ Edinho, mantendo o clima de celebração com sets dedicados ao rock e suas múltiplas vertentes.

Fausto Fawcett - Créditos: Divulgação

Circo Voador como palco simbólico

A escolha do Circo Voador como ponto de partida da turnê carrega simbolismo. Desde os anos 1980, a casa da Lapa é associada à resistência cultural, à experimentação artística e ao fortalecimento da cena independente. Ao estrear “45/40” nesse espaço, a Plebe Rude reafirma sua conexão com a história do rock brasileiro e com o espírito contestador que ajudou a moldar sua identidade.

A apresentação promete reunir diferentes gerações — daqueles que acompanharam o surgimento da banda nos anos 1980 aos jovens que descobriram suas músicas em playlists e plataformas digitais — em uma noite que celebra legado, permanência e a força do rock como linguagem de crítica e expressão.

SERVIÇO

Plebe Rude | Turnê “45/40”
Abertura: Fausto Fawcett – “Animakina”
Pista: DJ Edinho

Data: Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Local: Circo Voador – Rua dos Arcos, s/nº, Lapa – Rio de Janeiro
Abertura dos portões: 20h

Ingressos:
R$ 80 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos, pessoas com deficiência e maiores de 60 anos; ingresso solidário mediante 1 kg de alimento; benefícios para clientes e programas parceiros)
R$ 160 (inteira)

Classificação etária: 18 anos (14 a 17 anos somente acompanhados pelos responsáveis)

Vendas: pelo site da Eventim e na bilheteria do Circo Voador, aberta sempre duas horas antes da abertura dos portões.

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