The Mönic transforma passagem pela We Are One Tour 2026 em gesto coletivo dentro da cena

Mais do que integrar um line-up internacional, a participação da The Mönic na We Are One Tour 2026 se constrói como um movimento consciente dentro da própria cena. Em vez de apenas ocupar o espaço como representante nacional, a banda amplia esse lugar — e o transforma em plataforma.

Créditos: Anne Godoneo

Único nome brasileiro na turnê que reúne artistas como Pennywise, Millencolin e Mute, o grupo propõe uma leitura que vai além da performance: a de construção coletiva em um ambiente historicamente marcado por desigualdades de gênero.

O palco como espaço de redistribuição

Para a turnê, a The Mönic desenhou um formato que rompe com a lógica tradicional de apresentação. Em praticamente todas as cidades, guitarristas de bandas locais sobem ao palco para dividir uma faixa com o grupo — criando uma dinâmica que desloca o protagonismo individual para uma experiência compartilhada.

A ação, que inclui nomes como Jessi Gonçalves (Dirty Grills), Rubia Oliveira (Cigarras), Camila Araújo (Punho de Mahin), Isabela Lorio (Fake Honey) e Luisa Phoenix (Swave), não funciona apenas como participação especial. Ela atua como um gesto simbólico dentro da estrutura do show.

Nos shows em São Paulo, essa proposta se expande ainda mais com feats que conectam diferentes linguagens, incluindo participações de Charlotte Matou Um Cara e MC Taya, reforçando a ideia de que a cena se constrói também na intersecção.

Uma prática que acompanha a trajetória

A escolha por dividir o palco não surge como um movimento isolado. Ao longo da carreira, a The Mönic já incorporou colaborações em festivais de grande porte como Rock in Rio, The Town, Knotfest e Se Rasgum.

Essa recorrência revela uma lógica consistente: transformar visibilidade em abertura de espaço para outros artistas.

A própria fala da vocalista Dani Buarque aponta para esse direcionamento ao reconhecer avanços recentes, mas também a permanência de uma desigualdade estrutural dentro dos line-ups. Nesse contexto, a decisão da banda deixa de ser apenas artística e passa a ser também política.

Circulação e construção de cena

A passagem da turnê por cidades como Florianópolis, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro reforça o caráter itinerante da proposta — e amplia o alcance dessa troca com diferentes cenas locais.

Curiosamente, Porto Alegre aparece como exceção no roteiro: é a única cidade onde a banda ainda não se apresentou. Ainda assim, o contexto geral da turnê mantém a lógica de circulação como ferramenta de conexão.

Entre pausa criativa e retorno ao palco

A We Are One Tour 2026 também marca o retorno da banda aos shows após um período de três meses dedicado à composição de um novo disco. Esse intervalo adiciona uma camada importante à apresentação: o palco passa a ser, ao mesmo tempo, retomada e transição.

Se por um lado a banda revisita sua trajetória ao vivo, por outro já carrega sinais do que está por vir — ainda que de forma implícita.

O que essa participação representa

Em um cenário onde a discussão sobre representatividade muitas vezes se limita ao discurso, a atuação da The Mönic na We Are One Tour 2026 se destaca por transformar intenção em prática.

Mais do que marcar presença em um festival internacional, a banda redefine o que significa ocupar esse espaço: não como ponto de chegada, mas como ponto de expansão.

No fim, sua participação não se resume a um show dentro do line-up — ela reposiciona o palco como espaço coletivo, onde visibilidade deixa de ser individual e passa a ser compartilhada.


SERVIÇO

We Are One Tour 2026 — Brasil

📍 Porto Alegre — 24/03 — URB Stage
📍 Florianópolis — 25/03 — Life Club
📍 Curitiba — 27/03 — Tork n’ Roll
📍 São Paulo — 28/03 (esgotado) e 31/03 — Audio
📍 Rio de Janeiro — 29/03 — Sacadura 154

🎟️ Ingressos disponíveis online

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