Há algo de cinematográfico no momento atual de Zé Ibarra. Como se cada canção de “Afim” fosse menos uma faixa e mais uma cena, construída com luz baixa, tensão emocional e um tipo de beleza que não pede licença. Longe da contemplação serena que marcou parte de sua trajetória, o artista agora mergulha em uma estética mais densa, onde MPB, jazz e experimentações conceituais se entrelaçam com o pop para formar um organismo vivo, pulsante, e por vezes inquietante.
O segundo álbum solo, Afim, surge não apenas como um passo adiante, mas como um desvio calculado. Um movimento que aponta para dentro, mas se manifesta em camadas externas: arranjos mais sombrios, uma entrega vocal mais crua e uma construção visual que transforma o palco em extensão da própria narrativa sonora. É o tipo de obra que não se contenta em ser ouvida, ela exige ser vista.
Essa nova fase ganha corpo na estrada, com a turnê que percorre o país e desembarca em São Paulo em uma apresentação que promete amplificar essa atmosfera sensorial. Antes de subir ao palco do Coala Festival 2025, Ibarra apresenta seu universo expandido em uma noite que deve oscilar entre o íntimo e o vertiginoso.
📍 Serviço — Zé Ibarra em São Paulo
Mais do que um show, essa apresentação de Zé Ibarra sugere um rito de passagem, não apenas para o artista, mas também para o público que o acompanha. Um convite a atravessar camadas, abandonar expectativas e entrar, sem garantias, em um território onde a música deixa de ser trilha e passa a ser linguagem

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