Matuê faz história no Rock in Rio Lisboa com espetáculo inédito que une futurismo distópico, cangaço e liberdade criativa

Primeiro rapper brasileiro a comandar o Palco Mundo, artista cearense apresentou show exclusivo para o festival e reforçou sua conexão com o público europeu

Créditos: Pedro Azubu

O Rock in Rio Lisboa viveu um momento histórico neste domingo (28). Matuê se tornou o primeiro rapper brasileiro a se apresentar no Palco Mundo, principal espaço do festival, levando ao público português um espetáculo concebido exclusivamente para a ocasião. Muito além de um show de sucessos, a apresentação reuniu narrativa visual, cenografia inédita, figurinos exclusivos e um repertório que percorreu diferentes fases da carreira do artista.

Ao dividir o line-up com 21 Savage e Central Cee, Matuê consolidou sua crescente projeção internacional e reforçou o espaço conquistado pelo rap brasileiro nos maiores festivais do mundo.

UMA ABERTURA CINEMATOGRÁFICA

A apresentação começou com "777-666", faixa que deu o tom da experiência audiovisual proposta pelo artista. Logo nos primeiros minutos, o Palco Mundo foi tomado por uma cenografia inspirada em paisagens desérticas distópicas, marcada por estruturas monolíticas futuristas e projeções que transformaram o espaço em um cenário pós-apocalíptico.

A proposta visual dialogou diretamente com o universo criativo construído por Matuê nos últimos anos, especialmente a partir do álbum XTRANHO, combinando elementos tecnológicos, estética sci-fi e uma identidade própria que acompanha sua evolução artística.

HITS QUE ATRAVESSAM FRONTEIRAS

Estruturado inicialmente como um DJ set, o primeiro bloco concentrou alguns dos maiores sucessos da carreira do rapper.

Faixas como "Conexões da Máfia", "Quer Voar", "Crack com Mussilon", "Autobahn" e "Kenny G" colocaram o público português para cantar em coro, evidenciando a força do repertório do artista fora do Brasil.

"Conexões da Máfia", inclusive, marcou a relação de Matuê com Portugal ao estrear, em 2023, como a música mais executada no Spotify do país. Ao longo dos últimos anos, outras canções como "M4", "Vampiro" e "Imagina Esse Cenário" também figuraram entre os maiores sucessos nas plataformas de streaming em território português.

O show ainda contou com participações especiais dos rappers Brandão e Cashley, colaboradores frequentes do artista.

BANDA AO VIVO AMPLIA A POTÊNCIA DO ESPETÁCULO

A segunda parte da apresentação trouxe uma mudança de atmosfera. Com banda completa formada por guitarra, bateria, teclado e sintetizadores, Matuê passou a explorar novas camadas sonoras de seu repertório.

Foi nesse momento que o público acompanhou, pela primeira vez ao vivo, a execução de "Rei Tuê", faixa presente em XTRANHO, álbum lançado em dezembro de 2025.

Na sequência, músicas como "333", "Isso É Sério", novamente com participação de Brandão, e "Ícone Fashion", ao lado de Kouth, evidenciaram a versatilidade do artista ao transitar entre trap, rock, psicodelia e música eletrônica.

O encerramento ficou por conta de "Os Melhores", concluindo uma apresentação marcada pela intensidade visual e musical.

FIGURINO TRANSFORMA O PALCO EM MANIFESTO ARTÍSTICO

Se a cenografia ajudou a construir o universo futurista do espetáculo, o figurino reforçou outra importante característica da identidade de Matuê: a valorização de suas raízes nordestinas.

Durante toda a apresentação, o artista utilizou um tapa-olho prateado desenvolvido exclusivamente para o show. A peça faz referência ao imaginário do cangaço e ao visual dos cangaceiros, reinterpretado dentro de uma linguagem contemporânea.

No primeiro ato, o rapper vestiu uma jaqueta rosa personalizada inspirada no conceito "NPC" (Não Passa Credibilidade), criado durante o processo de desenvolvimento de XTRANHO. A proposta celebra a liberdade criativa do underground brasileiro e desafia padrões estéticos estabelecidos.

Já na segunda metade do espetáculo, o visual assumiu uma estética ainda mais robusta. A jaqueta de couro envelhecido trouxe referências ao cangaço e também à banda japonesa de hardcore punk G.I.S.M., sendo complementada por peças de Ed Hardy e Balenciaga.

DE FORTALEZA PARA O MUNDO

A apresentação no Rock in Rio Lisboa representa mais um capítulo da consolidação internacional de Matuê.

Nos últimos anos, o artista ampliou significativamente sua presença em Portugal. Em 2025, esgotou a MEO Arena, em Lisboa, estabelecendo o recorde de maior público para um show de rap brasileiro no local. Antes disso, já havia lotado sua apresentação na tradicional Queima das Fitas, em Coimbra.

Agora, ao ocupar o Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa, Matuê alcança um novo marco em sua trajetória e reafirma a força do rap nacional em um dos festivais mais importantes da Europa.

Créditos: Pedro Azubu

UM NOVO CAPÍTULO PARA O RAP BRASILEIRO

Mais do que uma estreia individual, a apresentação simboliza um momento importante para o rap brasileiro no cenário internacional.

Com um espetáculo que equilibrou conceito artístico, produção de alto nível e um repertório consolidado, Matuê mostrou que o gênero ocupa cada vez mais espaço nos principais festivais do mundo. O resultado foi uma performance que uniu identidade cultural, inovação estética e liberdade criativa, reforçando o protagonismo do artista cearense dentro da nova geração da música brasileira.

Créditos: Pedro Azubu


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