Anitta apresenta ao público, nesta quinta-feira (23), "EQUILIBRIVM II", segundo capítulo de um projeto que se consolida como um dos mais ambiciosos de sua trajetória. Sucessor direto do disco lançado em abril de 2026, o novo trabalho aprofunda as investigações iniciadas no primeiro volume: a relação entre amor, espiritualidade e ancestralidade, agora tecida com maior densidade narrativa e conceitual.
O álbum reúne um time de colaboradores que atravessa gerações e tradições da música popular brasileira: Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart'nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho, King Saints, o duo de produtores Los Brasileros, Katú Mirim, Letícia Fialho, o coletivo Brô MC's, Kbrum e o Grupo Ofá compõem um panorama que dialoga tanto com a tradição quanto com a produção musical contemporânea.
UM PANORAMA DA DIVERSIDADE MUSICAL BRASILEIRA
Assim como seu antecessor, "EQUILIBRIVM II" se estrutura como um mosaico de tradições rítmicas nacionais. Bossa nova, samba, reggae, funk e forró articulam-se ao longo das dezessete faixas do álbum, compondo um repertório que transita com fluidez entre o popular e o sagrado, entre o histórico e o iminente. No time de convidados, essa amplitude se reafirma: Anitta divide protagonismo tanto com intérpretes consagrados da MPB quanto com vozes emergentes da cena musical contemporânea.
A faixa de abertura, "Você Já Sabe", situa-se na confluência entre os tambores sagrados do candomblé e o tamborzão característico do funk carioca, em uma composição dedicada aos exus e às pombagiras. Segundo a cantora, a intenção foi estabelecer um diálogo direto com "Meia-Noite", faixa de abertura do primeiro volume do projeto.
O reggae, por sua vez, manifesta-se em duas vertentes distintas ao longo do disco. Em "Abre Caminho", parceria com o vocalista do Natiruts, Alexandre Carlo, a sonoridade adota contornos mais dançantes para tratar da liberdade nas relações afetivas. Já em "Tudo Isso", o ritmo se torna mais arrastado e contundente, servindo de base para versos sobre a recusa em negociar a própria paz.
FÉ, ANCESTRALIDADE E A ESPIRITUALIDADE BRASILEIRA
Um dos eixos centrais de "EQUILIBRIVM II" reside na exploração da religiosidade afro-brasileira e da devoção popular. Em "Eu Não Sou Santa", parceria com o sanfoneiro Mestrinho, Anitta constrói uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em um forró que a artista associa diretamente à memória das mulheres devotas de sua própria família.
"Ogum Me Rodeia", canção que reúne Anitta, Maria Bethânia e Letícia Fialho, dedica-se ao orixá associado, no sincretismo religioso brasileiro, a São Jorge e à proteção dos trabalhadores. Bethânia contribui com a declamação de um poema dedicado à entidade. Em "Feitiço", ao lado de Mart'nália, o samba-pop celebra o poder simbólico das encruzilhadas, incorporando um sample do ponto de Exu "Botaram Feitiço", de J. B. de Carvalho.
CORPOREIDADE E SENSUALIDADE
O álbum também reserva espaço significativo à corporeidade como via de elevação espiritual. "Sal Grosso", com participação de Kbrum e sample de "Treinamento do Bumbum", clássico do DJ O Mandrake, articula referências ao funk, ao dancehall e ao ragga em torno de rituais de proteção e purificação. "Divino Sexual" parte de conceitos da filosofia tântrica para tratar o encontro sexual como experiência de conexão energética entre almas.
O CURTA-METRAGEM: UMA NARRATIVA EM QUATRO ATOS
Ao lançamento sonoro soma-se um curta-metragem, concebido como extensão poética do disco e que transpõe as canções para uma linguagem cinematográfica. Assinado pela Ginga Pictures, produtora responsável também pelos visuais do primeiro "EQUILIBRIVM", o curta-metragem dá continuidade à estrutura narrativa em quatro partes iniciada no álbum anterior. A produção parte de uma reflexão sobre o karma como aprendizado, com Anitta encarnando Carmen Miranda em referência direta ao número musical de "Entre a Loura e a Morena" (1943).
Raio-X MOTR
- Artista: Anitta
- Lançamento: EQUILIBRIVM II (Álbum)
- Destaque MOTR: Você Já Sabe / Ogum Me Rodeia
- Conceito: Espiritualidade, ancestralidade e brasilidade em poesia sonora e visual.
- Para quem gosta de: Diálogo entre tradição e contemporaneidade na música brasileira.