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Em seu nono álbum de estúdio, Anitta amplia o universo de "EQUILIBRIVM II" ao reunir nomes históricos e contemporâneos da música brasileira em uma obra que transforma espiritualidade, ancestralidade e brasilidade em narrativa sonora e visual

Anitta apresenta ao público, nesta quinta-feira (23), "EQUILIBRIVM II", segundo capítulo de um projeto que se consolida como um dos mais ambiciosos de sua trajetória. Sucessor direto do disco lançado em abril de 2026, o novo trabalho aprofunda as investigações iniciadas no primeiro volume: a relação entre amor, espiritualidade e ancestralidade, agora tecida com maior densidade narrativa e conceitual.

Anitta - Créditos André Nicolau
CRÉDITOS: ANDRÉ NICOLAU

O álbum reúne um time de colaboradores que atravessa gerações e tradições da música popular brasileira: Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart'nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho, King Saints, o duo de produtores Los Brasileros, Katú Mirim, Letícia Fialho, o coletivo Brô MC's, Kbrum e o Grupo Ofá compõem um panorama que dialoga tanto com a tradição quanto com a produção musical contemporânea.

"Me coloquei inteira nesse disco. Quem ouvir vai perceber isso. São músicas que têm muito da minha espiritualidade, da minha visão de mundo, das brasilidades que me encantam e pitadas autobiográficas também", declara Anitta.

UM PANORAMA DA DIVERSIDADE MUSICAL BRASILEIRA

Assim como seu antecessor, "EQUILIBRIVM II" se estrutura como um mosaico de tradições rítmicas nacionais. Bossa nova, samba, reggae, funk e forró articulam-se ao longo das dezessete faixas do álbum, compondo um repertório que transita com fluidez entre o popular e o sagrado, entre o histórico e o iminente. No time de convidados, essa amplitude se reafirma: Anitta divide protagonismo tanto com intérpretes consagrados da MPB quanto com vozes emergentes da cena musical contemporânea.

A faixa de abertura, "Você Já Sabe", situa-se na confluência entre os tambores sagrados do candomblé e o tamborzão característico do funk carioca, em uma composição dedicada aos exus e às pombagiras. Segundo a cantora, a intenção foi estabelecer um diálogo direto com "Meia-Noite", faixa de abertura do primeiro volume do projeto.

O reggae, por sua vez, manifesta-se em duas vertentes distintas ao longo do disco. Em "Abre Caminho", parceria com o vocalista do Natiruts, Alexandre Carlo, a sonoridade adota contornos mais dançantes para tratar da liberdade nas relações afetivas. Já em "Tudo Isso", o ritmo se torna mais arrastado e contundente, servindo de base para versos sobre a recusa em negociar a própria paz.

FÉ, ANCESTRALIDADE E A ESPIRITUALIDADE BRASILEIRA

Um dos eixos centrais de "EQUILIBRIVM II" reside na exploração da religiosidade afro-brasileira e da devoção popular. Em "Eu Não Sou Santa", parceria com o sanfoneiro Mestrinho, Anitta constrói uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em um forró que a artista associa diretamente à memória das mulheres devotas de sua própria família.

"Ogum Me Rodeia", canção que reúne Anitta, Maria Bethânia e Letícia Fialho, dedica-se ao orixá associado, no sincretismo religioso brasileiro, a São Jorge e à proteção dos trabalhadores. Bethânia contribui com a declamação de um poema dedicado à entidade. Em "Feitiço", ao lado de Mart'nália, o samba-pop celebra o poder simbólico das encruzilhadas, incorporando um sample do ponto de Exu "Botaram Feitiço", de J. B. de Carvalho.

CORPOREIDADE E SENSUALIDADE

O álbum também reserva espaço significativo à corporeidade como via de elevação espiritual. "Sal Grosso", com participação de Kbrum e sample de "Treinamento do Bumbum", clássico do DJ O Mandrake, articula referências ao funk, ao dancehall e ao ragga em torno de rituais de proteção e purificação. "Divino Sexual" parte de conceitos da filosofia tântrica para tratar o encontro sexual como experiência de conexão energética entre almas.

O CURTA-METRAGEM: UMA NARRATIVA EM QUATRO ATOS

Ao lançamento sonoro soma-se um curta-metragem, concebido como extensão poética do disco e que transpõe as canções para uma linguagem cinematográfica. Assinado pela Ginga Pictures, produtora responsável também pelos visuais do primeiro "EQUILIBRIVM", o curta-metragem dá continuidade à estrutura narrativa em quatro partes iniciada no álbum anterior. A produção parte de uma reflexão sobre o karma como aprendizado, com Anitta encarnando Carmen Miranda em referência direta ao número musical de "Entre a Loura e a Morena" (1943).

Anitta - Créditos André Nicolau
CRÉDITOS: ANDRÉ NICOLAU

Raio-X MOTR

  • Artista: Anitta
  • Lançamento: EQUILIBRIVM II (Álbum)
  • Destaque MOTR: Você Já Sabe / Ogum Me Rodeia
  • Conceito: Espiritualidade, ancestralidade e brasilidade em poesia sonora e visual.
  • Para quem gosta de: Diálogo entre tradição e contemporaneidade na música brasileira.