ENTREVISTA | ArqShow transforma “Pedro Leopoldo Rodeio Show” em referência de arquitetura de eventos no Brasil

Entre palcos monumentais, fluxos de multidão, cálculos de segurança e decisões invisíveis ao público, existe uma camada silenciosa que sustenta a experiência dos grandes festivais brasileiros. Antes do primeiro acorde, antes da abertura dos portões e até antes do início das montagens, há um trabalho técnico que define como milhares de pessoas irão circular, consumir, assistir e viver um evento. 

Esse planejamento estratégico acontece muito antes de qualquer estrutura começar a ser erguida e é responsável por transformar um espaço vazio em uma operação de grande porte, capaz de receber o público com segurança, eficiência e conforto. 

É nesse território — entre arquitetura, engenharia, operação e comportamento humano — que atua a ArqShow, escritório mineiro especializado em arquitetura de eventos e cenografia, comandado por Rafael Lazarini. 

Com projetos ligados ao Pedro Leopoldo Rodeio Show, gravações de DVDs nacionais, festivais de grande porte e estruturas para eventos corporativos e culturais, a empresa se consolidou como uma das operações mais técnicas do setor em Minas Gerais. E, segundo Rafael, o diferencial está justamente em algo que o público raramente percebe. 

“Arquitetura de evento nunca foi só estética. Existem três pilares fundamentais: segurança, técnica e experiência.” 

O EVENTO COMEÇA MUITO ANTES DO PALCO 

Ao contrário da percepção popular, a arquitetura de um festival não se resume ao desenho do palco ou à cenografia instagramável. O processo começa muito antes — e envolve estudos de fluxo, comportamento do público, rotas de fuga, operação de bares, acessibilidade, áreas técnicas, logística de montagem e até estratégias comerciais. 

Tudo tem lógica”, resume Rafael. 

Na prática, isso significa que a posição de um banheiro, de um bar ou de um corredor pode alterar diretamente a experiência do público — e até a receita do evento. 

“Quando a pessoa perde muito tempo numa fila de bar, ela se irrita. Quando o deslocamento é ruim, isso impacta a experiência. Mas também existe uma lógica comercial. O posicionamento de bares e banheiros influencia diretamente o fluxo e o consumo.” 

Segundo ele, eventos de grande porte operam quase como cidades temporárias. 

“Você está lidando com dezenas de milhares de pessoas circulando ao mesmo tempo. Existe estudo de comportamento humano, estudo de deslocamento e até o chamado ‘efeito manada’, que é entender para onde o público vai quando acontece determinado movimento.” 

Créditos: Acervo Pessoal

DO PULA-PULA AOS MEGAEVENTOS 

A relação de Rafael com eventos começou cedo — muito antes dos grandes festivais. 

Aos 13 anos, ele trabalhava com recreação infantil em Belo Horizonte, atuando em brinquedos e atividades para crianças. Depois migrou para produção de montagem, passou por operação de palco e logística até chegar à arquitetura de eventos. 

Hoje, essa vivência operacional é apontada por ele como um dos principais diferenciais da ArqShow. 

“Eu conheço o evento da portaria ao palco.” 

Essa experiência prática permitiu ao escritório desenvolver projetos em que arquitetura e operação caminham juntas — algo essencial em festivais com múltiplas atrações, trocas rápidas de palco e estruturas temporárias complexas. 

PEDRO LEOPOLDO RODEIO SHOW: UMA DÉCADA DE EVOLUÇÃO 

Entre os principais cases da empresa está o Pedro Leopoldo Rodeio Show, um dos maiores rodeios do país. 

Rafael participa do projeto há mais de uma década e acompanha a evolução estrutural do festival desde os primeiros anos. 

“O Pedro Leopoldo foi um casamento que deu muito certo entre arquitetura e produção. Existe uma sinergia muito grande entre as equipes.” 

Segundo ele, o rodeio possui desafios específicos que o diferenciam de outros eventos. 

“O volume de setores é muito maior que na maioria dos festivais. Isso exige um controle muito forte de fluxo, acessos, segurança e rotas de fuga.” 

Além disso, a montagem do evento acontece ao longo de aproximadamente 40 dias, exigindo acompanhamento técnico constante. 

Créditos: Phillipe Guimarães

MINAS GERAIS COMO POLO DE PRODUÇÃO 

Com passagem por eventos em cidades como Salvador, Florianópolis, Brasília e Rio de Janeiro, Rafael afirma que Minas Gerais possui um dos mercados mais organizados do país quando o assunto é produção de eventos. 

“Os produtores mineiros estão entre os mais responsáveis do Brasil.” 

Ele também destaca o crescimento da profissionalização do setor e o aumento da exigência do público. 

“Hoje o público não quer apenas assistir ao show. Ele quer viver uma experiência. Quer conforto, cenografia, ativação, estética.” 

Esse movimento impulsionou uma transformação no próprio papel da arquitetura dentro dos eventos. 

O DESAFIO DOS ESTÁDIOS 

Apesar do crescimento do mercado, Rafael aponta que espaços como o Mineirão ainda enfrentam desafios estruturais para grandes montagens. 

Segundo ele, questões de logística, prazos apertados, jogos e limitações operacionais dificultam projetos mais ambiciosos dentro dos estádios. 

“No Mineirão, às vezes você começa a montagem na madrugada de quinta-feira e o evento é no sábado. Isso limita muito o nível de cenografia.” 

Por outro lado, espaços híbridos e mais versáteis, como o Mineirinho, ganham força como alternativas para eventos de médio porte. 

MUITO ALÉM DA ESTÉTICA 

Durante a conversa, Rafael reforça diversas vezes que o maior erro do mercado ainda é enxergar cenografia apenas como algo visual. 

Para ele, o verdadeiro impacto da arquitetura está justamente no que o público não percebe diretamente. 

Uma troca de palco eficiente. 
Uma rota de fuga bem calculada. 
Um fluxo que evita gargalos. 
Um banheiro estrategicamente posicionado. 
Um evento que funciona sem que o espectador precise pensar sobre isso. 

“Quando tudo funciona perfeitamente, ninguém percebe a arquitetura. Mas ela está ali o tempo inteiro.” 

PRÓXIMOS PASSOS 

Enquanto o mercado de entretenimento amplia sua escala e transforma festivais em experiências imersivas cada vez mais sofisticadas, empresas como a ArqShow seguem operando em uma zona invisível — porém decisiva — da indústria cultural brasileira. Porque, no fim das contas, antes do show começar, alguém já desenhou exatamente como aquela experiência vai acontecer. 

Para acompanhar os bastidores das operações e conhecer outros projetos que levam a assinatura da ArqShow, siga a empresa nas redes sociais:

Postar um comentário

0 Comentários