Sob coro coletivo, fumaça colorida e um Kartódromo Sapiens Parque completamente tomado pelo público, o ARVO Festival celebrou sua 10ª edição neste sábado (16), em Florianópolis. Com ingressos esgotados e milhares de pessoas circulando entre os palcos ao longo de mais de 12 horas de programação, o evento reafirmou sua posição como um dos festivais mais relevantes da música brasileira contemporânea.
Mais do que reunir artistas de diferentes gêneros em um mesmo line-up, o ARVO consolidou ao longo da última década uma identidade própria dentro do circuito nacional. Em um cenário cada vez mais dominado por festivais de perfil homogêneo e atrações internacionais, o evento catarinense segue apostando na pluralidade da música brasileira, conectando diferentes gerações, territórios culturais e sonoridades em uma mesma experiência.
A edição de 2026 reforçou justamente essa proposta. Samba, trap, afro rock, MPB, música eletrônica, piseiro e manifestações populares dividiram espaço em uma programação que transitou entre tradição e contemporaneidade sem perder coerência artística.
João Gomes e Jota.pê protagonizam um dos momentos mais celebrados da noite
Um dos pontos altos do festival aconteceu durante o show de João Gomes. Principal representante da nova geração do piseiro e dono de uma das carreiras mais populares do país nos últimos anos, o cantor levou o público ao delírio ao receber no palco Jota.pê, parceiro no premiado projeto “Dominguinho”.
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| Foto: João Gomes - Créditos: @fontesdias / @musicontheroad__ |
O encontro simbolizou uma das principais forças da música brasileira atual: a aproximação entre diferentes matrizes populares e urbanas. Entre hits e faixas do projeto colaborativo, os artistas protagonizaram um dos momentos mais comentados da edição, acompanhado em coro por uma multidão que lotava a frente do palco principal.
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| Foto: Jota Pê - Créditos: @fontesdias / @musicontheroad__ |
Gilsons , Carol Biazin e a força da nova música brasileira
Os Gilsons também viveram um dos grandes momentos do ARVO ao apresentar a “Eu Vejo Luz Tour”. Misturando MPB, reggae, pop e samba em uma performance marcada pela conexão coletiva com o público, o trio mostrou maturidade artística e confirmou sua consolidação como um dos projetos mais relevantes da música brasileira.
Já Carol Biazin levou ao festival a turnê “No Escuro, Quem é Você”, trabalho que ampliou sua presença dentro do pop nacional e lhe rendeu indicação ao Grammy Latino em 2025. Com forte identidade visual e emocional, a cantora apresentou um show intenso, reforçando sua ascensão entre os principais nomes da nova geração.
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| Foto: Carol Biazin - Créditos: @wttkwsk / @musicontheroad__ |
Fundo de Quintal emociona e BaianaSystem transforma festival em catarse coletiva
Representando a tradição do samba, o lendário Fundo de Quintal protagonizou um dos shows mais afetivos da noite. Clássicos como “O Show Tem Que Continuar”, “A Amizade”, “Fada” e “Nosso Grito” transformaram o Kartódromo em uma grande roda de samba coletiva, atravessando diferentes gerações presentes no festival.
Na reta final da programação, o BaianaSystem entregou uma das apresentações mais explosivas do ARVO 2026. Misturando guitarra baiana, afro rock, dub e música eletrônica, a banda comandou uma verdadeira catarse coletiva. Durante faixas como “Lucro”, “Miçangas” e “Sulamericano”, rodas se formavam próximas às grades enquanto o público transformava a pista em um grande bloco em movimento.
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| Foto: Russo Passapusso - Créditos: @wttkwsk / @musicontheroad__ |
Duquesa reafirma ascensão do rap feminino
Encerrando o palco principal, Duquesa apresentou um show potente e marcado por forte resposta do público jovem presente no festival. Transitanto entre trap, R&B e hip-hop contemporâneo, a artista levou ao palco faixas dos álbuns “Taurus” e “Taurus, Vol. 2”, reafirmando sua ascensão dentro da cena urbana nacional e a força crescente das mulheres no rap brasileiro.
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| Foto: Duquesa - Créditos: @fontesdias / @musicontheroad__ |
Cultura local, encontros e experiências além da música
A programação do ARVO também se expandiu para além do palco principal. O Beco do Samba reforçou a valorização da cena catarinense com apresentações de coletivos e artistas locais, enquanto a Discoteca ARVO, apresentada pela Johnnie Walker, voltou a reunir DJs, performances colaborativas e encontros musicais que atravessaram diferentes vertentes da cultura clubber brasileira.
Os corredores do festival permaneceram movimentados até os últimos shows da madrugada, com o público circulando entre ativações, áreas de convivência e os diferentes espaços do evento, reforçando a proposta do ARVO de unir música, ocupação urbana, convivência e experiência coletiva.
A abertura da programação ficou por conta do Maracatu Arrasta Ilha, coletivo catarinense que atua há mais de duas décadas na preservação e difusão do maracatu em Santa Catarina. A participação especial da Rainha Marinalva Santos, do Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife, ampliou o simbolismo da apresentação ao conectar o festival às tradições afro-brasileiras e à cultura popular pernambucana.
ARVO reafirma identidade própria no circuito nacional
Ao celebrar seus 10 anos, o ARVO demonstra maturidade artística e relevância cultural em um cenário de festivais cada vez mais competitivo. Mais do que apostar em grandes atrações, o evento catarinense se consolida como um espaço de circulação da música brasileira contemporânea, encontros criativos e experiências que ultrapssam o entretenimento.
A edição de 2027 já está confirmada para o dia 15 de maio. O primeiro nome anunciado pela organização é Jota.pê.
Em tempos de festivais cada vez mais padronizados, o ARVO encerra sua décima edição reforçando justamente aquilo que o tornou relevante ao longo da última década: identidade própria, diversidade artística e conexão genuína entre música, território e público.a
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